sábado, 17 de setembro de 2016

TRANSFIGURAÇÃO



Sim, é verdade, nada se perdeu
Tudo ainda borbulha nesse sentir tão singelo
Pensar nessa vida sem tocar a chaga profunda
Mergulhando num detalhe sem que nos consuma
Essa transfiguração para um momento inesperado
Como se os passos revistos fossem nunca aqueles dados
É apenas uma ponte, esse mistério que nos adianta
Mãos que não cruzam nessas circunstâncias
Corpos que surpreendem, ligeiras mudanças
Essa memória tão persistente para um dia que não finda
É preciso entender o que há lá fora
Pois se há um destino, sempre há uma história

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

ESSE TEMPO



Esse é o tempo que nos une
Mesmo que pareça estranho
Vivemos esse momento que nos guarda


Esse é o tempo em que podemos amar

Mesmo que pelo amor não haja domínio do corpo
É esse o sentimento que permanece aqui
 

Esse é o tempo da reinvenção
Já que todos os deuses estão mortos
E é necessário prosseguir


Esse é o tempo de não mais lamentar
Para que tudo que nos acompanha
Nos venha com sentido
Sentindo-se libertar

terça-feira, 31 de maio de 2016

COMPANHEIRO


Que seja hoje mesmo
Passos firmes ao longo do caminho
Sem dizer que deixou coisas para trás
Mas que trouxe consigo muita coisa a partilhar
Pequenos arranjos de uma vida comum
Mas singular por estar sendo vivida apenas por tu
Não são repartidos os acontecimentos, nem suas nuances
Há sentimentos enclausurados ao olhar o horizonte
Esse mundo não nos foi vendido
Nem tampouco oferecido com prazo de validade
Há circunstâncias em cada esquina, em cada rio
Jardins com flores por apenas existirmos
Eu que nunca me senti assombrado pelas tempestades
Agora finco nesse solo o que nunca perdi
Despojo a alma num rompante a avançar
Não há culpa nas ondas dessa praia de água morna
Tudo segue contigo, mas não acompanha a forma
Há sempre uma escolha, uma decisão que vigora
Nesse tempo que se confunde pretérito com futuro
A mais bela certeza é a tua própria história

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

ENTRE ESTRELAS



Talvez numa estrela
Ou num quarto vazio qualquer
Em que me pese a eternidade
Da finitude de amar aqui
O vento em teu cabelo
A exatidão do que vejo de ti
Todo anseio corrido, sofrido
Um tipo de dor que não dói assim
Uma terceira onda
Um segundo sorriso
Passageiro nesse trem
Leva-me além do que sei
Eu que não me perdi
Em nenhuma constelação
Agora imagino a estrada iluminada
Permitindo toda a sua construção
Deitado sobre a relva
Entendo este sentimento
Entre estrelas me liberto
Toda viagem vem de dentro