quinta-feira, 3 de novembro de 2011

FLAUTIM


 
Guardaremos juntos
os acertos, breves,
os enganos, fundos,

e aquele remoto
amparar de parcos,
altivos escolhos.

Cairão o signo
e a secreta cinza
desse ardente enigma.

Não lamentaremos
mais que o desencontro
dos humanos termos,

a rápida marca
que o passado imprime
na face, na máscara,

e os puros despojos
que às vezes são versos
e sempre são ossos.

Não diremos nada
dos velhos desejos
que a memória abraça,

sem qualquer palavra
não recordaremos
o que nos pesava,

mas apenas isso
que nos pese ainda:
ter vindo, ter sido.

 
(Bruno Tolentino - 1940-2007)

Um comentário:

  1. Querido Orlando, como vai, tudo bem?

    Amigo, finalmente publiquei meu livro!! Sim, depois de muito tempo, já está a venda no site Clube de Autores minha Coletânea de Contos.

    Tem link na capa do livro na lateral do meu blog, caso queira ir lá conferir, deixar comentário, comprar alguns...rs

    Abraços/Ótimo final de semana!!

    "sem qualquer palavra"

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