quarta-feira, 19 de novembro de 2008

ÚNICA NOITE


Agora só há uma coisa... não o medo
Do que se desespera... tocar as mãos
Única mensagem, sem voz ou música

Eu e tu, caminhando devagar
Doces nômades, bravos conquistadores

Só há o riso, a alegria, o querer
Essa ânsia infinita de desejar, de poder
Seguindo lado a lado
Ainda se doando mesmo que esquecidos

Segue o destino para quem ama
Almas unidas que transcendem
Corpos ativos que persistem
Olhos atentos que surpreendem

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

ANTOFAGASTA


Elementar são as idéias
Imprescindíveis como a onda noturna
Divagam após cair em ciclo
Antes de partir libertam todas as dores

São os medos que nos fazem navegar
Retraem angústias, desbravam solidões
Anseios admirados na forma
Busca para que a alma se transforme

Caminhantes que se vão só, vão além
Dedicam um pouco de si para um muito de nós
Toda a beleza rara, embutida numa novidade
Essas pequenas coisas que valem ouro, que dizem tanto

Regredir na dor, é poder se auto-reconhecer
Não por caminhar sozinho ou por se sentir solitário
É adentrar num mundo novo, para que assim haja uma lição

Honrar as pessoas é ter ternura por si mesmo
Ainda que muitas delas não sejam tenras
Habituar o amor é uma tarefa complexa, que dói
Redimir um sentimento
É torná-lo disponível ao outro
Angariar pedaços de bondade
É estabelecer benfeitorias coletivas

Nunca estamos prontos
Pois nunca nos prontificamos
Achamos simples os números das casas
Mas nos perdemos ao longo das ruas
Entendemos as medidas para o que é esperança
E passamos a viver atentos
Pelos nossos erros e acertos

sábado, 31 de maio de 2008

MINHAS IDÉIAS



Minha idéia de mundo
É desbravar as fronteiras
Sem ter medo de ser feliz
É sorrir para o índio
Observar as cores naturais
Percorrer todos esses rios
Descobrir na distância
O que me trouxe aqui

Minha idéia de céu e de mar
É mergulhar profundo
Na água ou no ar
É querer seguir neste oceano, neste cosmos
Sem jamais fugir
Apenas aventurar

Minha idéia para a vida
É curar a ferida
Latente, medida, furtiva
Janelas partidas
Sobre tempo veloz
Em paisagens antigas

Minha idéia sobre o amor
É simplesmente o amar
Sem moldes ou fórmula
Apenas complementar
Doce essência
Que se acha ao buscar
Procura intensa
Nos confins de quem desejar

Minha idéia sobre as pessoas
É um paiol infinito
Pensamentos contínuos
Pontes construídas
Onde todos se encontram
Jamais são sozinhos
Trazem diálogos amenos
Em um território iluminado

Minhas idéias alimentam o tempo
Vão como o vento
Surgem como as ondas
Lançam sobre a minha história
Novos horizontes ao partir

segunda-feira, 21 de abril de 2008

JORNADA


Viabilize teu sonho, ele existe
Tu que andas sempre atento
Evitando os abismos
Caminhando nessas estradas esquecidas
Angariando paisagens
Vivenciando o amor

Tu não te perderás nunca
Tens a chama acesa
O desejo de contribuir ao outro
A saga de conhecer um novo mundo

Tu és forte para ser o bastante
Um coração raro
Numa alma iluminada
Uma bondade única
Num sorriso inesquecível

Eles te chamam a noite
Para te perguntarem como foi o dia
Apenas para te observarem de novo
Pois teus olhos proporcionam uma paz sem fim

Sim, viabilize teu sonho
Estenda a tua mão
Flores nascem no deserto
Se soubermos cultivá-las

Se eu tivesse que te ensinar algo
Daquilo que já não sabes
Te ensinaria a buscar no mundo
As razões da felicidade
Te mostraria que o presente, não é um sonho
Mas a nossa perfeita oportunidade

sábado, 23 de fevereiro de 2008

DETERMINANTE


Depois de um tempo
Nossas opiniões se transfiguram
Cerzem caminhos que jamais controlamos
Desaguam onde nunca enxergaremos

Observamos sozinhos a sequência de erros
Buscamos na eternidade a resposta para a imperfeição
Dialogando com o infinito, adentramos no profundo
Passando a existir inseridos no que é comum

Que se perca o medo pelas coisas desconhecidas
Nada é estranho, sem que se toque ou se sinta
Nem é menor por apenas ser pouco visto
Agrega vontade mesclada ao desejo

Não há término para as revoluções, fazes a tua
Ainda sem espada ou sem exército
Teus sonhos, teus ideais
Formam um império que jamais será extinto

Alimenta tuas dúvidas com bons sentimentos
Continuarás na virtude
Derrotarás teus dilemas
Racionalizarás tuas angústias

Se te fazes bem andar entre estrelas
Cultives novos caminhos
Mas jamais te esqueças dos antigos
Pois eles te trouxeram até aqui

sábado, 19 de janeiro de 2008

A ÚLTIMA BATALHA


Aqui estamos, aqui chegamos
Olhamos sozinhos, fracasso por fracasso
Dizemos sempre a mesma coisa
Como se quiséssemos justificar um erro pelo outro

A violência sem medidas denegriu a essência
Tornou o mal, senhor da situação
Viabilizou o medo escancarado
Tornando real o que não sonhávamos existir

Estamos sendo derrotados nesta guerra...
Não é nenhuma novidade
Contar quantos perdemos
Vivermos escondidos dia após dia
Esperando por algo que jamais chegará

Falamos de um futuro melhor, de um doce amanhã
Entretanto, mal sabemos cultivar o hoje
Nos importamos mais com aquilo que não conhecemos
Do que com o que sempre tivemos de bom

Permitimos que falem por nós aos outros
Mas nunca dizem o que devíamos ouvir
Nunca fazem o que mereceríamos receber
Nunca são o que gostaríamos de conhecer

Estão tornando céu e mar vermelhos
Nos oferecendo sempre algo muito ruim
Estão usando a cor bela do amor
Ultrajando sonhos perdidos no caminho
Estão calando a nossa voz
Para que muito em breve
Não possamos ao menos... coexistir