segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Definitivo


Aí está o que as pessoas dizem umas as outras
Sem que ocorram tantos intermédios, poucos detalhes
Nada é prerrogativa ao que sucede
Nem é estimulante para que aconteça depois

É uma onda sucessiva de diagramas naturais
Que privilegiam os que andam em terrenos novos
Sem que se percam de si mesmos na curva adiante
O que os esperam apenas é decifrado no eldorado do amanhã

Pois de fato, a realidade detém todas as instâncias
E não é uma falha percorrer este caminho
Sustentado em vislumbres, em verdades desconhecidas
Há um pouco de nós em cada um dos olhos que nos vêem

É a troca de movimentos, a possibilidade de refletir
Comparado a uma premissa, pode-se dizer que é uma projeção
Apenas enxergar o outro, mesmo que à distância maior
E é desse ponto inicial que se desencadeia o que é desconhecido

A alma humana é um labirinto escondido em meio ao nada
Ilesa de qualquer interferência do tempo ou do tudo
Que nos modifica a cada passagem, a cada momento
Nos reintegra, nos conecta aos demais que nos completam

Para que saibamos que nunca estamos sós em estágio algum
Pois a maior das verdades que se pode descobrir nessa interação
É que escolhemos seguir caminhos ao longo da existência
Para que assim possamos colorir outros destinos

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Jean-Pierre Barakat


Jean-Pierre Barakat é antes de tudo, um amigo que fiz nessas conexões definitivas que a poesia proporciona ao longo da nossa existência, é um prêmio para mim esta tão nobre amizade.

É um poeta claro, singular, que domina a linguagem de modo forte, com poemas que permeiam entre a calmaria e a velocidade de todas as coisas em apenas um instante.

Abaixo, dois belos poemas de sua autoria:

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"Não Estou Aqui Para Te Falar de Silêncios "

Não estou aqui para te falar de silêncios.

A vida ferve e borbulha em mim,
Trazendo ansiedade na minha alegria
E esperança no meu querer.

Não estou aqui para te falar de silêncios.

Basta-me a quietude da noite e das estrelas,
No meu olhar há paisagens mudas.
E, surdo, continuo a sonhar.

Não estou aqui para te falar de silêncios.

As palavras sabem dos meus labirintos.
Nada se manifesta sem o desejo escuro
Da sombra se desintegrando na luz.

Não estou aqui para te falar de silêncios.

É implícito, pois aqui estou, despido,
Diante de ti, sem artifícios ou mágica,
Assumindo-me nessas palavras de amor.

© Jean-Pierre Barakat, 26.09.2005



"Poema do Silêncio"

Vive, em mim,
Sem princípio e sem fim,
O silêncio.

Absoluto monarca
Por sobre gestos e fatos –
A marca indissolúvel
Da minha alma.

Há tantas vozes para o meu canto,
Mundos demais para vôos astrais,
Esperança, muita, para singrar
Oceanos de quimeras.

Ora, basta-me o poema,
Nascido na ausência de som,
Para tecer certo enredo
E voltar, outra vez,
Ao taciturno degredo.

© Jean-Pierre Barakat, 05.02.2006

Mais poesias do autor em:
http://docedroaoipe.blogspot.com/

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Resoluções


E foi te ensinando que aprendi
A olhar o mundo com mais calma
Decidindo que o certo faz bem a todos
Que o sorrir proporciona o bem

E foi te observando que entendi
A simplicidade com que vives
A sedução que exalas e que me fixa a ti
Igual a cena etérea do vento em teus cabelos

E foi te acompanhando que iniciei
O caminho de volta, agora de forma sublime
Do que me era lembrança de dias bons
Desenhados em abraços perdidos no ontem

E foi te desejando que descobri
Um querer diferente, uma manobra do destino
Algo como se fosse em mim latente
Mas que me permite assim, sonhar em estar ao teu lado
Mesmo que estejamos em lugares diferentes

E foi vivendo a tua existência
Que a minha passou a ter sentido
E agora, todos os meus dias são projetos
E você, a maior das resoluções

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Profundo


Há liberdade além do azul
Inúmeras pontes que transcendem o que é céu
Oceano como espelho, pintura ao entardecer
Mudanças detalhadas sobre ondas

Pedaço do que se contém
Desenhado em um círculo de paixão nova
Desejar o vermelho, o querer tão vivo
Penetrante, mais que etéreo no simples colorir

São novos desejos que se desmistificam
Novas entradas para mundos longíquos
Qualquer solo é habitat para o que ilumina
Poderosos faróis em pequenas ilhas

Há profundidade naquilo que não me pertence
Torna-se viável o que quero depois
Um conjunto de palavras anteriormente ditas
Tão densas e conectadas como a própria existência

Leva-se um pouco de mim em cada poema
Não há como não me tornar híbrido
É uma projeção daquilo que sonho
Tocando com meus olhos aquilo que desejo
A razão de existir é profundo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Existencial


Não existe meio amor... tu amas ou não
Não se manipula sob existência, capatazes para sentimentos
Pois o amor não se vende e nem se concebe de modo vil
Ele vem de terras distantes, como um misterioso estrangeiro

Não se delimita o amor, pois ele não tem arestas e nem tangentes
Se nos tornarmos seu aliado, quando ele a nós se apresenta
Nossa jornada é mais suave e a estrada mais plana
Sem curvas sinuosas ou abismos de decepções pré-concebidas

Se quiseres te sentir em plenitudes, amas sem medida
Como se fosses exatamente aquele que desejas, o outro
Diagnostica tua causa como sendo uma entrega
Pois não se ama sem que haja territórios cedidos

E na validade de tudo isto que se projeta
Sentirás exatamente o conteúdo do amor
Pois não há manuais ou guias para se amar
É apenas permitir que as sensações fluam sobre a matéria
E tu te transformes em alvo desejado que também deseja

São instâncias do amor
As demais tu irás construindo... amando