quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

ALÉM



Sou eu que elevo os braços
Para o azul profundo
Caminhante solitário
Sobre estradas distantes

É assim que desmistifico
A minha dor anterior
Num vagão de ilusões
Que vai seguindo

Impossível é ficar esperando
Apenas um chamado
Um paiol iluminado
Pequenos retalhos de luz

E o tempo que me cerceia
Também me convida
A ser paisagem
Viajante abstrato

Anos que passaram
Dias que virão
Toda busca é épica
Translado que divaga

Absoluto e relativo
Regido assim em detalhes
A alma é um relógio
Nós, as aves

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

OUTRO CAMINHO


Sou apenas mais um homem
Que observa a estrada
Que percorre o caminho

Se tu ainda não viste a estrada
E nem encontraste o caminho
Dá-me tua mão

Pois na vida que segue
Não há destino perdido
Ninguém caminha sozinho

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

MANANCIAL


Não mensures o horizonte
Apenas observa a reta imponente
A formação perfeita
Teus olhos não se enganam

Distraia teus dias
Eles não se perdem
Foram apenas vividos no ontem
Tu sempre tens tempo de ser feliz no hoje

Não procures dentro de ti somente desertos
Mas encontra a flor singela
Pequenina, ainda não desabrochada
Vive em você, sempre viveu

Fazes sempre uso do bem, o transferindo aos outros
Tua ação resultará em coisas magníficas que não podes imaginar
Mesmo que o mundo não devolva aquilo que aguardas
O que determinas de bondade será um talismã para tua existência

Marca a tua passagem aqui sempre nas manhãs
Para que o anoitecer seja belo, seja calmo
Verás que não há segredo algum no baú da tua vida
Apenas lembranças que te percorrem

E os nossos irmãos que se encontram perdidos
Olhem para as estrelas, a cortina iluminada
Absorvam o profundo que é existir se doando
Descobrindo um lado imenso antes adormecido

Sinceramente, em teu coração, habitua o sentir
Amplia tuas respostas e integra tuas ações
Modifica os que te seguem com olhos
Os marcando apenas com amor incessante

Liberta-te dos maus sentimentos que te corroem
Acalma teu espírito, toca com tuas mãos o amanhã
Viverás todos os dias que te foram dados, em plenitude
E te acostumarás a seguir o destino, trilhando o bem

terça-feira, 5 de setembro de 2006

MAGNÂNIMO


Magnânimo é amar primeiro
Amor ligeiro, sem fronteiras
Lapidado em instantes, no mar profundo
Um azul imenso, grande sentimento

Viver por terceiros é causa nobre
Amor primário, sem retalhos
Cura feridas, fecha cicatrizes
É tempo válido, jamais perdido

Achar-se ilhado num mundo rápido
Amor solitário, não sobrevive
Desconhece-se a causa
Mas continua a existir, no intuitivo

Pleno é vir depois
Amor maduro, a existência o molda
Traz consigo todas as memórias
Um acúmulo de vivência, de esperança

Magnânimo é ser igual, vivendo diferente
Amor coletivo, contagia os esquecidos
Avisando ao mundo que o bem é possível
E que o mal, o bom combate um dia o curará

sábado, 22 de julho de 2006

POR DENTRO


Há um homem dentro de mim
Que desenha meu ego inflamado de paixão
Me conduz a um mar de sentimentos
Fazendo que eu esqueça todas as ilusões

Há um poeta dentro de mim
Que me permite viajar em palavras
Conhecer destinos longíquos sem os enxergar
Ser eterno por apenas coexistir para depois tocar

Há uma mulher dentro de mim
Que me faz enxergar o mundo com mais ternura
Amando sem medidas como se fosse um tipo de cura
Desejando por apenas sentir, um milagre a dividir

Há um desejo perdido em minha alma
Adormecido por um instante esquecido
Vagando como nuvens, beijando o paraíso
Alimentando desertos que não cabem em mim

quinta-feira, 13 de julho de 2006

VIAJANTE


Há um amor perdido
Remetido à instâncias
Divagando em ventos distantes
Contornando este lado que não se conhecia

Há desejos feridos
Sobre chagas profundas
Um arremesso no obscuro
Uma tentativa de entender o mundo

Há mergulhos no todo
Enclausurados no que se vivencia
Um achado esquecido
Num amanhecer antes das fronteiras, antes do dia

sábado, 1 de julho de 2006

AZUL


Corra sempre com os ventos
Todas as paisagens se movem
É tu que embarcas no horizonte
Nas circunstâncias que te levam distante

Te anuncia no elementar, no real
Todas as fantasias foram usadas
Cada máscara tem seu motivo, sua expressão
Há detalhes que não se decifram, apenas existem

É esta estrada que os viajantes percorrem
Descobrem novas terras, novos mares, novas almas
Permeiam a possibilidade de tocar o novo
Um mergulho profundo num oceano longíquo

Para sempre estarão mudados, novos sóis
E que não se sintam solitários, há novos desejos
Que não estejam perdidos, sempre haverão estrelas
Que reflitam ao olharem acima, bem dentro do espelho azul

sábado, 13 de maio de 2006

PARA AQUELES


Para aqueles que voam, o azul torna eterno
Para aqueles que correm, todas as estradas têm mistérios
Para aqueles que nos deixaram, jamais os esqueceremos
Para aqueles que ainda acreditam, há esperança quando cremos

Para aqueles que se perderam no caminho, mão sobre a alma
Para aqueles que vivem sob obscuridades, luz na jornada
Para aqueles que entenderam o destino, tranquilidade alcançada
Para aqueles que são ilhas, distâncias inabitadas

Para aqueles que são solitários, os enxerguemos com cuidado
Para aqueles que chegaram aqui, viagem longa, corpo cansado
Para aqueles que abdicaram de tudo, corações raros
Para aqueles que aguardam, a resposta está ao lado

Para aqueles que buscam profundidade, é libertário o desvendar
Para aqueles que nos habitam, metades a explorar
Para aqueles que disseram tanto, agora é tempo de recomeçar
Para aqueles que podem interceder, o segredo está no olhar

domingo, 7 de maio de 2006

CIRCUNSTÂNCIAS


Eu aceito esse destino
E trilho o caminho
Tudo é paisagem
Rios que me seguem
Horizonte que se perde
Ilhas que adormecem

Você virá depois
Um convite solitário
Em uma carruagem iluminada
Percorrendo retas e curvas
Sorrindo às novidades

Eu aceito viver sobre circunstâncias
Desvendando o mistério da noite
Para que se liberte o dia
Sempre acordado aos anseios
Apenas mais uma alma que existe
Escondida num corpo que a antecede

segunda-feira, 1 de maio de 2006

COMPREENSÃO


Não há convites para o deserto
Nem tão pouco se deserdam almas nostálgicas
É um caminho estreito que se trilha
Um fio do nada entrelaçado no que se sonhou

Quando se acorda na realidade possível
Alimenta-se diariamente a esperança
Pedindo, sem saber, que o tempo dure o bastante
Que não haja impiedade em sua passagem

E ao deduzir pequenos manuscritos do viver
Renova-se o pensar em um mar de novidades
Que sugere o passo adiante, a próxima porta a abrir
Mesmo que a chave dela não esteja em tuas mãos

Nada nos torna unidos sem que queiramos
É uma seqüência de ações voluntárias na dimensão do todo
Permitindo poder dialogar um pouco sobre tão antigas coisas
Mas que valem tanto para o surgimento de outras

É libertário entender tão delicadas ações
Sendo necessário estar receptivo ao que cerca
Sem que as alianças se rompam
É primordial que existam

sábado, 15 de abril de 2006

Encontrar Você


Para encontrar você
Beberei a água que não é pura
Falarei línguas que antes me eram estranhas
Estarei atento a tudo que deixara antes
Recordarei do caminho trilhado... quanta bonança

Para encontrar você
Atravessarei todo o deserto
Perderei o medo de me sentir por você descoberto
Viajarei em territórios desconhecidos
Habitarei no mais íntimo de você, no que é eterno

Para encontrar você
Conquistarei tudo de novo, cada parte perdida
Não dormirei por nenhum instante
Terei paciência até adentrar em tua vida
E deixarei que a tua história, seja a minha
Pois te darei de presente, a eternidade do querer, do desejar
Dia após dia

quinta-feira, 23 de março de 2006

Fronteiras


Em um instante tudo me leva a você
Oceano vira rio, nova terra é teu corpo
Nenhum desejo é perdido, cada afago é integrado
Tudo é vivido em cada detalhe, em cada momento

Deseja-se do amor a intensidade
Há caminhos desenhados para os que amam
Uma espécie de promessa moldada em um novo sentimento
Uma causa sustentada pela ânsia de ter o outro

Entretanto, desejar não é possuir os extremos
Pois há liberdade no amor
Descobre-se territórios antes perdidos
Acalenta-se o encanto de viver o outro

É uma circunstância o amar, uma etapa
Pois se projeta todo o sentimento em uma aposta
E em seguida os resultados se materializam
E mesmo que não atinjam o que era esperado
Continua-se tentando sempre, pois assim é o sentir

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Definitivo


Aí está o que as pessoas dizem umas as outras
Sem que ocorram tantos intermédios, poucos detalhes
Nada é prerrogativa ao que sucede
Nem é estimulante para que aconteça depois

É uma onda sucessiva de diagramas naturais
Que privilegiam os que andam em terrenos novos
Sem que se percam de si mesmos na curva adiante
O que os esperam apenas é decifrado no eldorado do amanhã

Pois de fato, a realidade detém todas as instâncias
E não é uma falha percorrer este caminho
Sustentado em vislumbres, em verdades desconhecidas
Há um pouco de nós em cada um dos olhos que nos vêem

É a troca de movimentos, a possibilidade de refletir
Comparado a uma premissa, pode-se dizer que é uma projeção
Apenas enxergar o outro, mesmo que à distância maior
E é desse ponto inicial que se desencadeia o que é desconhecido

A alma humana é um labirinto escondido em meio ao nada
Ilesa de qualquer interferência do tempo ou do tudo
Que nos modifica a cada passagem, a cada momento
Nos reintegra, nos conecta aos demais que nos completam

Para que saibamos que nunca estamos sós em estágio algum
Pois a maior das verdades que se pode descobrir nessa interação
É que escolhemos seguir caminhos ao longo da existência
Para que assim possamos colorir outros destinos

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Jean-Pierre Barakat


Jean-Pierre Barakat é antes de tudo, um amigo que fiz nessas conexões definitivas que a poesia proporciona ao longo da nossa existência, é um prêmio para mim esta tão nobre amizade.

É um poeta claro, singular, que domina a linguagem de modo forte, com poemas que permeiam entre a calmaria e a velocidade de todas as coisas em apenas um instante.

Abaixo, dois belos poemas de sua autoria:

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"Não Estou Aqui Para Te Falar de Silêncios "

Não estou aqui para te falar de silêncios.

A vida ferve e borbulha em mim,
Trazendo ansiedade na minha alegria
E esperança no meu querer.

Não estou aqui para te falar de silêncios.

Basta-me a quietude da noite e das estrelas,
No meu olhar há paisagens mudas.
E, surdo, continuo a sonhar.

Não estou aqui para te falar de silêncios.

As palavras sabem dos meus labirintos.
Nada se manifesta sem o desejo escuro
Da sombra se desintegrando na luz.

Não estou aqui para te falar de silêncios.

É implícito, pois aqui estou, despido,
Diante de ti, sem artifícios ou mágica,
Assumindo-me nessas palavras de amor.

© Jean-Pierre Barakat, 26.09.2005



"Poema do Silêncio"

Vive, em mim,
Sem princípio e sem fim,
O silêncio.

Absoluto monarca
Por sobre gestos e fatos –
A marca indissolúvel
Da minha alma.

Há tantas vozes para o meu canto,
Mundos demais para vôos astrais,
Esperança, muita, para singrar
Oceanos de quimeras.

Ora, basta-me o poema,
Nascido na ausência de som,
Para tecer certo enredo
E voltar, outra vez,
Ao taciturno degredo.

© Jean-Pierre Barakat, 05.02.2006

Mais poesias do autor em:
http://docedroaoipe.blogspot.com/

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Resoluções


E foi te ensinando que aprendi
A olhar o mundo com mais calma
Decidindo que o certo faz bem a todos
Que o sorrir proporciona o bem

E foi te observando que entendi
A simplicidade com que vives
A sedução que exalas e que me fixa a ti
Igual a cena etérea do vento em teus cabelos

E foi te acompanhando que iniciei
O caminho de volta, agora de forma sublime
Do que me era lembrança de dias bons
Desenhados em abraços perdidos no ontem

E foi te desejando que descobri
Um querer diferente, uma manobra do destino
Algo como se fosse em mim latente
Mas que me permite assim, sonhar em estar ao teu lado
Mesmo que estejamos em lugares diferentes

E foi vivendo a tua existência
Que a minha passou a ter sentido
E agora, todos os meus dias são projetos
E você, a maior das resoluções

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Profundo


Há liberdade além do azul
Inúmeras pontes que transcendem o que é céu
Oceano como espelho, pintura ao entardecer
Mudanças detalhadas sobre ondas

Pedaço do que se contém
Desenhado em um círculo de paixão nova
Desejar o vermelho, o querer tão vivo
Penetrante, mais que etéreo no simples colorir

São novos desejos que se desmistificam
Novas entradas para mundos longíquos
Qualquer solo é habitat para o que ilumina
Poderosos faróis em pequenas ilhas

Há profundidade naquilo que não me pertence
Torna-se viável o que quero depois
Um conjunto de palavras anteriormente ditas
Tão densas e conectadas como a própria existência

Leva-se um pouco de mim em cada poema
Não há como não me tornar híbrido
É uma projeção daquilo que sonho
Tocando com meus olhos aquilo que desejo
A razão de existir é profundo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Existencial


Não existe meio amor... tu amas ou não
Não se manipula sob existência, capatazes para sentimentos
Pois o amor não se vende e nem se concebe de modo vil
Ele vem de terras distantes, como um misterioso estrangeiro

Não se delimita o amor, pois ele não tem arestas e nem tangentes
Se nos tornarmos seu aliado, quando ele a nós se apresenta
Nossa jornada é mais suave e a estrada mais plana
Sem curvas sinuosas ou abismos de decepções pré-concebidas

Se quiseres te sentir em plenitudes, amas sem medida
Como se fosses exatamente aquele que desejas, o outro
Diagnostica tua causa como sendo uma entrega
Pois não se ama sem que haja territórios cedidos

E na validade de tudo isto que se projeta
Sentirás exatamente o conteúdo do amor
Pois não há manuais ou guias para se amar
É apenas permitir que as sensações fluam sobre a matéria
E tu te transformes em alvo desejado que também deseja

São instâncias do amor
As demais tu irás construindo... amando

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Mediterrâneo



Eu não estarei só, mesmo que perdido em distâncias
Conduzido aos campos longíquos de gramas verdejantes
Inserido em amplos jardins, repletos de flores novas
Desbravando terras amenas de borboletas perfeitas

Caminhando em linha reta, não conhecerei a curva
Nem deixarei para trás pequenos passos
Onde se apresenta aquilo que não é tão necessário
Dirão a mim que é além do horizonte

E o que sinto como retardo, como o que vem depois
É apenas o retorno daquilo que antes senti
E que vem como novidade, como resposta possível
Em um espelho doce, em um mar de imensidão azul

E o dilema de não estar só após tanta jornada
É de apenas entender a confecção de tudo
Uma avalanche de ações existenciais que nos projetam além
Pois nada nos proíbe de realizar o próximo passo

E não se detém o que se enxerga depois
É uma chama eterna, uma possibilidade maior
Onde se pode diferenciar cada parte perdida
Trazendo então a tona o que ilumina, apenas luz

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Ações


Posicione sobre teu peito a ânsia que sentes
Liberta-te daquilo que te faz estar angustiada
Usa de caminhos que te levem além daqui
Entenderás porque tem de ser assim

Não te apresses em terminar de construir o bem
É um edifício inacabável, andar sobre andar de bondade
E sabes que mesmo que te digam ao contrário
Algo em ti faz com que continues sempre

Não permitas que o que há dentro de ti se perca
Sabes que sempre há justiça em nós mesmos
É a esperança diária daquilo que cremos para o mundo
Um acúmulo de aspirações sob um tempo esquecido

Não há insanidade na prática do bem
Nada se detém para aquilo que enxergamos
Um carrosel de infinitas voltas para tudo que nos cerca
O pedaço do todo, uma segunda mensagem

Daqui, de onde se parte rumo à trajetória
Existem muitas linhas recortadas
Mas são apenas cinco passos que viabilizam a jornada
Depois disso, saberás que é tu mesma que desenhas o traçado