sexta-feira, 29 de julho de 2005

Desejos


Estar com você é sentir, ferir-se, amar, sofrer, esperar
Desejar você é olhar, saber, voar, sorrir e vencer

Te deixar é perder, correr, cair, dividir, magoar
Não ter você é estar longe, é morrer

Não mais te ver é ilusão, é poder estar só, sem só querer ficar
Te esperar é fugir da distância e ter medo de se aproximar

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Manifestações


Apresenta-me o amor total, aquele que jamais senti...
Mostre-me a plenitude da felicidade, já que não a conheço.
Leve-me ao mar, minhas ilusões chegarão ao fim.
Envolva-me no tempo, preciso existir na intensidade infinita.
Conduza-me ao porto onde está ancorado teu corpo,
Minha alma é como um navio perdido.
Coloca-me um dia nas abstrações dos teus planos, minha vida será útil.
Rouba-me alguns dias, a pena do teu crime será me ter para sempre...

terça-feira, 26 de julho de 2005

MELANCOLIA


Eterna rotina, nosso presente
Fuga impossível, é o grito preso da liberdade
Amor impiedoso, aquele que existe, mas não acontece
Sensações únicas, o vento, o mar agindo no horizonte que jamais desvendamos
Infinita, a busca pelo desconhecido
Desprezo, o que aprendemos a sentir pelo próximo
Metade, o que não falta, apenas pode ser o complemento
Histórias, aquelas que não contamos
Sentimentos, não procuramos senti-los, apenas os observamos
Pessoas, existem como protótipos, como projetos
Mulheres, seres misteriosos que nos acolhem e nos mudam para sempre
Homens, tão sós e tão perdidos
Ausência, quando insistimos em nos manter em mundos ilusórios
Viagem, lugares desconhecidos para os nossos corpos, mas não para os nossos espíritos
Repentina, a ânsia de viver com intensidade o lado já conhecido
Descoberta, o passo gigante para as revoluções
Preconceito, a parte pobre e obscura da alma humana
Enigma, o futuro próximo desvendará
Magia, o brilho nos olhos de quem ainda acredita
Falha, o esquecimento dos homens para com o Divino Criador
Ilha, a solidão em um mundo tão povoado
Inconsciente, tudo que não nos faz unidos
Incompreensível, as guerras existentes
Limite, o desempenho da humanidade
Sistema, regras que nos aprisionam
Caminhada, longa estrada que seguimos com incerteza
Morte, o início de uma nova jornada
Nostalgia, o fracasso das relações
Labirinto, os impulsos da busca incessante por respostas
Justiça, até quando seremos feridos
Destino, tentemos mudá-lo para que tudo que nos cerca seja mais puro e livre

segunda-feira, 25 de julho de 2005

PÓLO NORTE


Revelo a mim mesmo a esperança
Parto numa direção oposta ao destino
E busco em outros sorrisos a paz que me falta
Abstraio-me como espíritos que vagam até a "sala principal"

Navego em coloridas luzes daquilo que nos iluminam
Como um auxílio, se deixar ir aonde se deve
Nada mais desejado do que partir assim, estar indo
Em um desejo de poder estar, não acima dos outros
Mas de apenas realizar o mais doce dos anseios, voar ao longe

Percorrer a trajetória desconhecida
Lembrar de que para existir após a tormenta
É necessário pelo menos uma vez na existência
Navegar sozinho em um mar revolto

Não me admira que eu já tenha escrito cartas sem destinatário
Elas estão aonde devem estar, pois se nunca eu as enviei
É porque aguardo o dia em que eu mesmo
Levarei simples mensagens a quem precisa somente ouvir
E sei, intuitivamente, que há pessoas necessitando todos os dias
De poucas palavras para fazer a diferença em um mundo esquecido

PASSAGEM


Em um rosto que não sorri
Em uma viagem feita ao partir
Longa espera por um momento não vivido
Como se agora tudo já estivesse decidido

Devolver ao tempo que se perde a chave que se acha
Como um resgate de uma passagem para trás deixada
Adentrar no mais profundo
Sem querer jamais racionalizar o mundo

Apenas desejar que o próprio destino
Nos presenteie com um corpo de homem e uma alma de menino