quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Visões


E verás em mãos que desenham o tempo
Pois saberás que tudo é mutável, mesmo que toques
E te lembrarás que o que viveste é herança
E entenderás que do lado de fora há um mundo ainda

Correrás por campos imensos, até te cansardes
Te deitarás em tenras gramas que acolhem
Falarás baixinho, pois se tu quiseres elas te escutarão
E serás melhor, pois te atentarás aos que sempre te viram

Modificarás tua história, não confrontando o destino
Viverás cada etapa, cada minuto, cada instância
E estarás no ciclo que sonhaste tempos atrás
Este preencherá as lacunas que restam em ti

Absorverás tudo e te sentirás livre

sábado, 24 de dezembro de 2005

Paisagens


Estarei aqui após a tormenta
Nada me interessa mais nestes dias
Do que apenas estar observando

Dirigido à linha da existência no agora
Projeto-me para o outrora
Em um caminhar que me leva distante

Num lirismo em paisagens, tudo sobre mim passa
Imagens não transitam e nem se vão
São apenas os olhos que as permitem ir

Numa equivalência de acontecimentos
Somatiza-se aquilo que se vislumbra
Numa progressão que permite mudanças em nós

Para Sempre


Pense bem, antes de deixar tudo para trás
Aproveite a oportunidade de nos entendermos de novo
Redescubra todo sentimento em mim ainda contido, pois
A separação nos deixará perdidos


Surpreenda-me, para que eu possa crer em possibilidades
E verás que é desta forma que se seduz, porque
Me será entregue toda uma vida
Para que não exista mais a passada rotina
Recusarei todas as palavras que não forem as tuas
E como desejamos a eternidade: serás minha... para sempre

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Mesmo


E agora que se encerra, que há um desfecho
Onde uma parte que era a metade
E a outra que era o começo
Reintegra-se o consôlo, mas se perdem de si mesmos

Um dia após o outro dizem que é o remédio
E como se altas doses fizessem efeito
Sugerem novas tentativas, novos quereres
Mas não entendem que o fato novo é sempre o mesmo

E assim que se percebe, que a distância é maior do que estar
Preferem seguir caminhos que não são compartilhados
E convidam um ao outro a se permitirem ser solitários
Mas não compreendem que ainda estão interligados

Neste ambiente que se segue, que se vê
Deturpa-se o sorriso, inibe-se o querer
Para que se preserve o outro, retiram as algemas
E a liberdade de quem se ama é oceano de águas plenas

sábado, 10 de dezembro de 2005

Variáveis


Quando me pedes que eu seja sempre o mesmo
Tu não entendes que a metamorfose é natural
Pois permite-se assim que a evolução tenha continuidade
Que o melhor em nós não seja apenas mais um relato

Peço-te apenas compreensão sobre aquilo que nos cerca
As variáveis são infinitas e o tempo as intermedia
Estejas serena, pois quando digo que aos poucos estarei mudado
Não incluo nesse prosseguir a minha essência
Ela permanece a mesma, é a minha própria matriz

Entretanto, a noção de existir ao longo da caminhada,
A simbiose com tudo que a vida apresenta como plataforma,
O querer aproximado e sentido tantas vezes... todos mudarão
Pois serão filtrados para que haja continuidade na melhoria

E entenderás a razão da evolução
Onde a luz se tornará incandescente
Saberás que as mudanças ocorrem naturalmente
E desejarás que elas viabilizem o bem maior, muito maior

domingo, 27 de novembro de 2005

Plenitude


Dividido em situações opostas
Nesta época em que me surgem
Onde nada é instante, nem longíquo
É a textura da foto que se perde

E o que paira como sentimento admirável
É uma imagem distante daquilo que se toca
Como uma novidade, algo irremediável
Deveras que por perto há antídoto

E a gota de uma lágrima perdida
Forma um mar que não conhecemos
Com correntes de eternidade sobre desejos
E ondas iluminadas em doce vislumbre

Não há e nem pode haver certeza maior
De que onde a flecha possa alcançar
É lá que eu dêvo estar em algum tempo
Decidido a transpassar o que é horizonte

Peregrinando por terras distantes
Chegarei a sublime conclusão
De que o amor não é o que se pensa
É apenas um pedaço de esperança

E após isso, estarei completo...

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Imperfeitos


E se te espantas quando digo que te amo
Ficarás então perdida quando dizer que te quero
Há tempos sei que és meu complemento
O pedaço de mim que faltava no ontem

Nunca entendi porque foi tão complexo te encontrar
Uma busca grandiosa como a própria existência
Sei que não te esperava somente no agora
É tudo bem anterior, bem longíquo

Mesmo que amanhã tu partas e não queiras aqui ficar
Entenderás que quando te olhei hoje, te vi sob plenitudes
E chegarás a conclusão que não sou igual ao de ontem
Pois se tenho você aqui, sou melhor em qualquer instância

Já te foste tantas vezes que aprendi a aguardar
Compreendo que tua alma é inquieta e teu gostar é oscilante
Mas de modo incrível, recebi uma carta do amanhã
Que me pede para te esperar, pois tu irás acordar em breve
E ficarás aqui, comigo

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Quando Se Revelam


Não será esquecendo o que vivi, que acharei a cura
Nenhuma doce novidade é maior do que aquilo que é conhecido
Nada é somente secundário, quando se acham novas coisas
Nem se tornam essencialmente valiosos por apenas serem mais raros

É inconsistente pensar que o novo vem a galope
E que todas as respostas nele são encontradas
Ou que então em ambiente neutro faça-se luz
Mesmo que não sirva para iluminar obscuridades

Quando se revela a parte íntima de nós, tudo fica posterior
Não por se tornar um referencial, mas por se permitir avançar
Pois tais revelações, nós mesmos nunca as conhecemos
Mas permitimos que elas existam para que nos mostrem os dois lados

Pois há um lado criado em cada um de nós ao longo da jornada
Que não nos permite viver o outro, como numa simbiose de dualidades
E que pouco nos amendrontam, por saber que quando se revelam
Nossos sentimentos viram novidades e ainda não nos achamos felizes

É um diagrama especial, a nossa sensibilidade à mudanças
A nossa preparação ao que é vertical do lado oposto
E que não se associa ao fim de nada, pois não há fim nas descobertas
O que se revela aqui, são apenas fatos latentes

Quando se faz uso, é necessário enxergar a totalidade disto
Como uma profecia, de caminhar em terreno desconhecido
Sabendo que o porto seguro é mais a frente
Isso é revelado... quando se detém o novo

E como é notório vivermos anestesiados em pedaços de luz
Não nos damos contas que as revelações são apenas manuscritos
Onde cada um de nós pode as ler de forma perfeita
E a novidade de tudo isto, é um presente que o destino nos dá

Uma consistente verdade de acontecimentos que nos renovam
E nos permeabilizam de inúmeras novas sensações
Que nos projetam rumo ao posterior de nós mesmos
E tudo que nos cerca ou é nosso fica mais belo e maior

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Tuas Coisas


Teus dias serão para sempre
Como projetos de uma vida inteira
Tuas histórias serão perpetuadas
Como capítulos de um livro contínuo

Tua passagem não será lembrada
Pois você por mim jamais será esquecida
Tua beleza não é aquela que todos julgam conhecer
Mas é a que eu observo e desenho sob formas

Teu amor é inatingível
Me contento em ceder territórios de sentimentos para você
Tua vida, eu desejo viver por dentro dela
A fim de coexistir na plenitude por completo

Teus desejos são como ilhas
Envoltas por um mar de calmaria
E a maré do amar sabe como manter o nível de acesso até você

terça-feira, 4 de outubro de 2005

Além do Amar


Quem sabe nas terceiras instâncias
Em que o vinho tenro e a alma torpe
Revigora a vontade de estar ainda aqui

Na ânsia de querer mais do que alento
Renega-se o fardo que vem alado
E mergulha-se no novo que vem com o tempo

Na insistência de amar no agora
Cauteriza-se a certeza de viver somente doçuras
Mesmo que a partilha não seja a tua

E embebido em mares de sentimentos mil
Advoga-se a esperança do amor eterno
E se descobre que o talento do amar
É mais duro do que suave, e mesmo assim,
Jamais o deixamos de querer tocar
E desejamos desejar...

Alma Aberta


De tudo aquilo que eu quis ou que me foi vendido
No compasso da simples forma com que se apresentam
Não são virtuosos em sua essência restrita
E nem são intocáveis por apenas se dizerem puros

Denominam que a existência é o retrato fiel da escolha
Publicam em finos argumentos que a natureza humana é peculiar
Como se validasse reinvindicar ao outro, o que é dele de direito
Nada mais natural, se eleger como detentor de toda a sabedoria

Como nem tudo é permeável e nem toda matéria é uniforme
Degenera-se a aquiescência daqueles que divagam assim
Não porque querem o domínio daquilo que é absoluto
Todavia o absoluto é o próprio sentimento coletivo

Induzido por estradas afluentes que surgem
Desvia-se a caminhada permitindo-se viajar por estações
Desenhando uma nova forma de ser em todo aspecto de estar feliz
Como uma tenra camada de areia, suspensa em desertos de nós mesmos

E nessa sequência de acontecimentos constrói-se alicerces
Que valem muito mais do que as casas que nos protegem

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Mergulho


Deixa que o tempo seja nulo
Que a história fale do que foi absurdo
E o que achamos transpasse os muros
Pois jamais fomos mudos

Caminhemos sem passos largos
Levemos aqueles que precisam em nossos braços
Preferindo a simplicidade do contato
Tão nobre ato que deveria existir de fato

Viabilizar a diminuição da dor
Provocar a epidemia do que contenha verdadeiro valor
Disseminar a transferência de existencial amor

Querer a chave do escondido
Decifrar qualquer dilema obscuro
Basta apenas que você se projete em um simples mergulho

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Sempre Assim


Nas tempestuosas batalhas que a vida promove
Encontra-se o estímulo para àqueles que seguem adiante
Mesmo que as respostas não sejam as desejadas
É dessa forma que se viabiliza o passo da caminhada

Cada qual procura entender porque não chegou onde sonhou
E de que forma não cumpriu todas as aspirações que a alma compôs
Deveras que num limiar de esperança entende-se o fato
Pois a chave do baú que procuramos todos os dias, não é nossa

Lembrando que tudo é azul em seu limite
Acalenta-se um pouco o desencanto
Tendo então novos braços para abraçar o mundo

Na trajetória da caminhada
Ir ao longe é real
Mesmo que tu ainda estejas onde tua alma não quer estar

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Sobre Instâncias


Corrompi toda a essência naquela curva
Quando o viés de querer
É mais híbrido do que o ir
Quando doces sentimentos vão sobre escadas

Fui na eternidade em um dia, um instante
Ao presenciar um sorriso teu
Luz antropofágica, me consome
Cadencia minha própria existência

Nos teus olhos, Mar Egeu
Luto em vão, pois és maior
Sobre instâncias que me arrebatam
Em um puro sinal de desejo

Em uma breve forma, diminuta
Enclausura-se o cuidado
Vou-me adiante, na estrada incessante
De querer apenas tocar em teus cabelos
E quem sabe, conhecer teu corpo
Como já conheço a tua alma
Há tanto tempo...

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Desejos


Estar com você é sentir, ferir-se, amar, sofrer, esperar
Desejar você é olhar, saber, voar, sorrir e vencer

Te deixar é perder, correr, cair, dividir, magoar
Não ter você é estar longe, é morrer

Não mais te ver é ilusão, é poder estar só, sem só querer ficar
Te esperar é fugir da distância e ter medo de se aproximar

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Manifestações


Apresenta-me o amor total, aquele que jamais senti...
Mostre-me a plenitude da felicidade, já que não a conheço.
Leve-me ao mar, minhas ilusões chegarão ao fim.
Envolva-me no tempo, preciso existir na intensidade infinita.
Conduza-me ao porto onde está ancorado teu corpo,
Minha alma é como um navio perdido.
Coloca-me um dia nas abstrações dos teus planos, minha vida será útil.
Rouba-me alguns dias, a pena do teu crime será me ter para sempre...

terça-feira, 26 de julho de 2005

MELANCOLIA


Eterna rotina, nosso presente
Fuga impossível, é o grito preso da liberdade
Amor impiedoso, aquele que existe, mas não acontece
Sensações únicas, o vento, o mar agindo no horizonte que jamais desvendamos
Infinita, a busca pelo desconhecido
Desprezo, o que aprendemos a sentir pelo próximo
Metade, o que não falta, apenas pode ser o complemento
Histórias, aquelas que não contamos
Sentimentos, não procuramos senti-los, apenas os observamos
Pessoas, existem como protótipos, como projetos
Mulheres, seres misteriosos que nos acolhem e nos mudam para sempre
Homens, tão sós e tão perdidos
Ausência, quando insistimos em nos manter em mundos ilusórios
Viagem, lugares desconhecidos para os nossos corpos, mas não para os nossos espíritos
Repentina, a ânsia de viver com intensidade o lado já conhecido
Descoberta, o passo gigante para as revoluções
Preconceito, a parte pobre e obscura da alma humana
Enigma, o futuro próximo desvendará
Magia, o brilho nos olhos de quem ainda acredita
Falha, o esquecimento dos homens para com o Divino Criador
Ilha, a solidão em um mundo tão povoado
Inconsciente, tudo que não nos faz unidos
Incompreensível, as guerras existentes
Limite, o desempenho da humanidade
Sistema, regras que nos aprisionam
Caminhada, longa estrada que seguimos com incerteza
Morte, o início de uma nova jornada
Nostalgia, o fracasso das relações
Labirinto, os impulsos da busca incessante por respostas
Justiça, até quando seremos feridos
Destino, tentemos mudá-lo para que tudo que nos cerca seja mais puro e livre

segunda-feira, 25 de julho de 2005

PÓLO NORTE


Revelo a mim mesmo a esperança
Parto numa direção oposta ao destino
E busco em outros sorrisos a paz que me falta
Abstraio-me como espíritos que vagam até a "sala principal"

Navego em coloridas luzes daquilo que nos iluminam
Como um auxílio, se deixar ir aonde se deve
Nada mais desejado do que partir assim, estar indo
Em um desejo de poder estar, não acima dos outros
Mas de apenas realizar o mais doce dos anseios, voar ao longe

Percorrer a trajetória desconhecida
Lembrar de que para existir após a tormenta
É necessário pelo menos uma vez na existência
Navegar sozinho em um mar revolto

Não me admira que eu já tenha escrito cartas sem destinatário
Elas estão aonde devem estar, pois se nunca eu as enviei
É porque aguardo o dia em que eu mesmo
Levarei simples mensagens a quem precisa somente ouvir
E sei, intuitivamente, que há pessoas necessitando todos os dias
De poucas palavras para fazer a diferença em um mundo esquecido

PASSAGEM


Em um rosto que não sorri
Em uma viagem feita ao partir
Longa espera por um momento não vivido
Como se agora tudo já estivesse decidido

Devolver ao tempo que se perde a chave que se acha
Como um resgate de uma passagem para trás deixada
Adentrar no mais profundo
Sem querer jamais racionalizar o mundo

Apenas desejar que o próprio destino
Nos presenteie com um corpo de homem e uma alma de menino